Jesus Zing com Lusa
A Policia Judiciária (PJ) de Aveiro desconhece ainda os resultados das análises aos produtos que foram apreendidos na "Cogumelo Mágico", um dia depois da loja de "drogas leves" ter aberto ao público no Centro Comercial Oita, em Aveiro.
Os produtos apreendidos por uma equipa de inspectores da PJ foram enviados para o Laboratório da Polícia Cientifica em Lisboa, mas até ao final da tarde de ontem ainda não tinham chegado ao departamento de Investigação Criminal de Aveiro da PJ quaisquer resultados das análises, segundo apurou o JN.
A loja de "drogas leves" tem sido procurada por "clientes de todo o país", que chegaram a esgotar alguns produtos, existindo já interessados em copiar o negócio.
Nos primeiros dias de abertura , a média de clientes chegou a atingir o meio milhar, segundo disse na altura, ao JN, o proprietário. "Passa aqui muita gente, sobretudo à tarde, e os clientes vêm de todo o país", disse à Lusa Ricardo Marabuto, familiar do proprietário do "Cogumelo Mágico".
À loja têm-se dirigido "pessoas dos mais diversos sítios, nomeadamente do Porto, de Cascais, de Faro e, também, da região de Aveiro".
Os cactos com mescalina são o produto que tem mais saída, mas a "Algerian Blend" para fumar tem também "grande procura". "Os cactos esgotaram e estamos à espera de mais. Tem sido um sucesso", afirma Ricardo Marabuto, que faz o atendimento ao balcão. Há também quem queira replicar o negócio noutros locais e procure informações na loja com esse objectivo. "Para abrir no Algarve já cá vieram mais de uma vez", relata o funcionário.
O estabelecimento foi licenciado pela autarquia local como "ervanário especializado" e os artigos são
importados da Holanda.
"Jornal de Notícias"
Carlos Marabuto, que importa a mercadoria a partir da Holanda, viu neste negócio “uma oportunidade excelente” e confessa que não teve qualquer entrave ao seu licenciamento. “Pedi uma licença à Câmara de Aveiro para abrir uma ervanária, com acesso restrito a maiores de 18 anos. Eles estranharam, mas autorizaram”, conclui.
Ontem, dia em que abriu portas, a smartshop Cogumelo Mágico já teve dezenas de clientes – na maioria jovens – e nenhuma visita das autoridades. Erva sálvia (também conhecida como erva Maria), pronta a ser fumada ou para fazer chá, cactos “com pura mescalina” (uma substância altamente alucinogénia usada pelos índios americanos), kits para cultivo de ‘cogumelos mágicos’ e instrumentos variados para consumo de drogas fazem parte da lista de vendas, com preços entre os cinco euros e meio e os 60 euros.
Questionado sobre o impacto que esta loja inédita terá, Carlos Marabuto está confiante de que “pode ser um factor para mudar mentalidades”. “Em Portugal, a venda e consumo de álcool é aceite e, seguramente, provoca muito mais problemas e até mortes do que o consumo de drogas leves”, refere.
Já quanto a eventuais complicações legais, reafirma que “está tudo legal” e adverte que se os seus clientes “usarem, por exemplo, o cultivo de ‘cogumelos mágicos’ para depois os venderem a terceiros, estão a praticar um crime de tráfico”.
Carla Pacheco, Aveiro "Correio da Manhã"
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